14.4.03

Opus 48

Parece que devo muito mais a mim mesmo e a todo mundo do que sempre devi. Como a história da vítima do agiota. Quanto mais pago, mais devo. Sei que minha mãe se preocupa comigo, meu filho, meus colegas de trabalho. Existe um ‘eterno preocupar-se’ que é uma forma mágica/mística de realização do outro. Enquanto estão ‘preocupados’ comigo, a paz retorna [dentro de rasa possibilidade] aos corações e o mundo [parece] se aquietar. Nada se aquieta de verdade. O que aquieta é Lexotan e maconha. Ou Valium na veia com uísque como perguntou dia desses um amigo (de brincadeirinha, é claro).
Discuto nessa sala e nesse escritório de poucos papéis livros interminavelmente sobre o que estou fazendo ou deixando de fazer e sinto-me mais e mais culpado por ‘não fazer’. Mas, Afinal, o que é fazer? Eu juro que não sei mais.
Imagino que fazer seja uma espécie de realização pessoal e coletiva [gerada pelo eu] associada a componentes éticos e estéticos, algo assim como uma espécie de ‘maravilha do mundo’, criação de alguém próximo do genial [talentoso, vá lá], coisas que, absolutamente, não sou.
E o que eu sou? Acho que nada. Acho que mais uma dessas pessoas que caminham pelas ruas e que levam em suas cabeças um universo todo próprio, cheio de ‘certos’ e ‘errados’, de ‘possíveis’ e ‘impossíveis’, de expectativas para o futuro e recalques. Cheios ainda de incompreensões [acho que Deus é o maior gerador de frustrações em todos nós] Deus é o grande culpado. Sem ele não teríamos a culpa, nem a expectativa, nem mesmo a revolta pelo ‘não ter’. Mas esse Deus culpado (muito, muito mais culpado que o homem é invenção desse próprio homem!).
Deus, parece, não é manifesto no deserto. Ele é manifesto no cérebro [ou espírito] do homem que olha o deserto. Raciocínio mais ou menos simples é que Deus existe na justa medida do homem, que sem Ele, ELE não existiria. Mas o que é isso? Um raciocínio simples, barato e ateu? Niilista? Talvez. Talvez porque não sou espelhado por nada, não possuo o referencial de outra possibilidade que não minha própria cabeça [ou o sentimento arraigado de um conjunto de corações e mentes – e o inconsciente coletivo, vá lá!]. Não importa. De qualquer forma, não tenho referenciais outros. Não tenho um outro mundo, uma outra possibilidade de comparar o que penso com uma realidade. Posso, apenas ser contestado por outra pessoa, outro cérebro [igual ao meu, independente de mais inteligente ou menos, mais culto ou menos], mas sempre a velha massa cinzenta igual à minha tratando de um mundo que é o mesmo que eu percebo, o mesmo que eu vejo. Então é a visão de um igual, também ela baseada em um ‘nada’ comparativo.
E, caminhando nesse deserto único, trabalhamos todos com uma possibilidade pífia. É a culpa dos meus pais, do meu governo, das grandes potências.
Culpa de Deus. O meu grande problema não é acreditar ou não em Deus. Nem se os outros o fazem. Muito menos a arquitetura das suas religiões. O problema é a impossibilidade da materialização do universo pleno. Olho apenas para as estrelas e posso acha-las belas, misteriosas ou um ‘grande nada’. Posso, inclusive, não ver as estrelas. De qualquer forma elas estão lá. Posso ainda imaginar que existam outras formas de vida, pensar que seria loucura não supor vida num universo ‘infinito’. Continuo ‘eu’ raciocinando e trocando essas idéias com ‘outros’ que, na verdade, não passam de ‘eus’ outros, ‘eus’ que nada têm além de mim, salvo um pouco mais ou menos de crença baseada ainda assim, em sentimentos gerados por órgãos fisicamente iguais aos meus.
Resta a dura opção: crer ou deixar de crer. Claro que o lógico é não acreditar.
Mas não acreditar contém todas as deficiências cognitivas e lógicas do ‘acreditar’. Nenhuma diferença senão o contrário. Contrário esse também em oposição a si mesmo, à possibilidade de todos e não relacionado ao conhecimento maior, de possibilidades outras, conhecidas que permitam a comparação. Nada. Não tenho comparações. Tenho a opção limitada do sim e do não, posições antagônicas que partem de um mesmo centro nervoso. E, partindo de origem igual, deixam de ser antagônicas, mas ‘brincadeiras’, ‘exercícios intelectuais’ de um mesmo pensamento que é o pensamento humano.
Estou, então, diante do paradoxo final. Estou no fim do tempo, onde a terra, plana, termina, deixando parte de seus oceanos transbordarem para o nada. O mundo é vasto, tão vasto quanto eu e meu universo e meu filho e meu Deus. E finito.
Dizem-me então que a terra não é plana como se acreditava há muito tempo, que é redonda, que o universo muito possivelmente é infinito e que a ciência caminha à passos largos já aumentando a média de vida e sua qualidade. Se antes se vivia 40 anos, hoje se vive setenta. E com boa qualidade. Não tenho como não acreditar, pois as estatísticas e a história estão aí mesmo pra mostrar que é tudo verdade. E se é verdade, discutir com o quê? O mundo me reafirma a cada segundo que eu posso acreditar em Deus ou não, poso escolher minha ideologia e posso programar minha aposentadoria. O que mais uma pessoa pode desejar? Nada. Sem dúvida nada.
Quando ultrapassamos esse limite, essa fronteira, nossos ‘anti-vírus’, nossos guardiões sociais entram naturalmente em alerta, da mesma maneira que anti-corpos em nosso organismo. ‘Alguma coisa está errada’ – alertam. E, em nome da qualidade de vida e do ‘bem estar geral da nação [globalizada], determinam um tipo de alteração na qual nos enquadramos e somos ingressados num ‘programa de reabilitação’ salvador que inclui, consultórios psicanalíticos, igrejas, hospitais, penitenciárias ou o meio-fio [disfunção do Estado].
Poque estamos tratando de um ‘universo’ de possíveis e, de uma forma ou de outra, havemos de nos enquadrar nessa ou naquela categoria, neste ou naquele grupo [ou tribo].
E, no meio da conversa, ou do mais profundo estudo acadêmico, esquecemos novamente [e sempre!] da possibilidade da comparação, do exercício de nos ver em relação a uma outra possibilidade, um outro mundo, um outro de Deus (se for Ele ainda necessário]. Calma! Não vai aí nenhuma blasfêmia, mas a forma abstrata do Deus permite a sua ‘não existência’ ainda ‘existindo’. Numa outra esfera [para nós impossível], é imaginável ser lógico não acreditar em Deus, ou ‘nesse’ Deus, já que o Deus está presente pela própria possibilidade da comparação, da fissura de pensamentos e, principalmente de existências, sem aí considerar-se nenhuma anormalidade.]
Exemplo disso seria esse mundo metafísico, ou a espiritualidade plena onde outros mundos e outras vidas e outras entidades e muitos ‘outros’ coabitam pela graça de Deus. Isso explica tudo, acalma o meu ser e eleva meu espírito. O senão, entretanto, persiste: ainda que eu creia nessa possibilidade [não uma crença amparada na crença pura e simples, mas em ‘sinais’ e ‘provas’ e convicção absoluta]. A crise que habita o ser crente, o Buda é que todo esse mundo espiritual, bom e infinito [junto com o Mal e tudo o mais] estão ainda dentro de um lado, de uma possibilidade e não dentro de um todo que seja visível a outros, discutível [não do ponto de visto da ‘prova científica’, como podem estar pensando apressadamente], mas, ao contrário, da ‘não prova’.
O que nos falta não é a comprovação do meu Anjo Protetor porque ele não carece de provas, não é uma experiência da Física e sim um Anjo. O que nos falta é perceber outro Anjo [não o do Mal], mas outro anjo seja lá com que denominação for.
Eu entenderia que, numa possibilidade diversa, um radiador velho fosse um Anjo, que a ele se devessem sacrifícios rituais e que não houvesse a possibilidade da dúvida (visto que em outra possibilidade, a questão da dúvida pode sequer existir). Mas não. Nascemos e morremos (se é que isso realmente ocorre – já que não há comparação com um ‘não nascer e morrer’) já prisioneiros [se existir realmente o conceito de ‘prisão’] de um Absoluto que de absoluto não tem nada. Nascemos e morremos e invocamos espíritos e Anjos e Deus sem permitir a estes que se manifestem de forma diversa [tal como, em tese, possuem], diante da falha universal da impossibilidade de diálogo outro, de comparação de conhecimento maior. Aliás, sorrio ao escrever ‘conhecimento maior’ já que não sei o que é o meu conhecimento ou se essa palavra traduz o que penso. Ou se penso.
Amém.

Opus 48

Parece que devo muito mais a mim mesmo e a todo mundo do que sempre devi. Como a história da vítima do agiota. Quanto mais pago, mais devo. Sei que minha mãe se preocupa comigo, meu filho, meus colegas de trabalho. Existe um ‘eterno preocupar-se’ que é uma forma mágica/mística de realização do outro. Enquanto estão ‘preocupados’ comigo, a paz retorna [dentro de rasa possibilidade] aos corações e o mundo [parece] se aquietar. Nada se aquieta de verdade. O que aquieta é Lexotan e maconha. Ou Valium na veia com uísque como perguntou dia desses um amigo (de brincadeirinha, é claro).
Discuto nessa sala e nesse escritório de poucos papéis livros interminavelmente sobre o que estou fazendo ou deixando de fazer e sinto-me mais e mais culpado por ‘não fazer’. Mas, Afinal, o que é fazer? Eu juro que não sei mais.
Imagino que fazer seja uma espécie de realização pessoal e coletiva [gerada pelo eu] associada a componentes éticos e estéticos, algo assim como uma espécie de ‘maravilha do mundo’, criação de alguém próximo do genial [talentoso, vá lá], coisas que, absolutamente, não sou.
E o que eu sou? Acho que nada. Acho que mais uma dessas pessoas que caminham pelas ruas e que levam em suas cabeças um universo todo próprio, cheio de ‘certos’ e ‘errados’, de ‘possíveis’ e ‘impossíveis’, de expectativas para o futuro e recalques. Cheios ainda de incompreensões [acho que Deus é o maior gerador de frustrações em todos nós] Deus é o grande culpado. Sem ele não teríamos a culpa, nem a expectativa, nem mesmo a revolta pelo ‘não ter’. Mas esse Deus culpado (muito, muito mais culpado que o homem é invenção desse próprio homem!).
Deus, parece, não é manifesto no deserto. Ele é manifesto no cérebro [ou espírito] do homem que olha o deserto. Raciocínio mais ou menos simples é que Deus existe na justa medida do homem, que sem Ele, ELE não existiria. Mas o que é isso? Um raciocínio simples, barato e ateu? Niilista? Talvez. Talvez porque não sou espelhado por nada, não possuo o referencial de outra possibilidade que não minha própria cabeça [ou o sentimento arraigado de um conjunto de corações e mentes – e o inconsciente coletivo, vá lá!]. Não importa. De qualquer forma, não tenho referenciais outros. Não tenho um outro mundo, uma outra possibilidade de comparar o que penso com uma realidade. Posso, apenas ser contestado por outra pessoa, outro cérebro [igual ao meu, independente de mais inteligente ou menos, mais culto ou menos], mas sempre a velha massa cinzenta igual à minha tratando de um mundo que é o mesmo que eu percebo, o mesmo que eu vejo. Então é a visão de um igual, também ela baseada em um ‘nada’ comparativo.
E, caminhando nesse deserto único, trabalhamos todos com uma possibilidade pífia. É a culpa dos meus pais, do meu governo, das grandes potências.
Culpa de Deus. O meu grande problema não é acreditar ou não em Deus. Nem se os outros o fazem. Muito menos a arquitetura das suas religiões. O problema é a impossibilidade da materialização do universo pleno. Olho apenas para as estrelas e posso acha-las belas, misteriosas ou um ‘grande nada’. Posso, inclusive, não ver as estrelas. De qualquer forma elas estão lá. Posso ainda imaginar que existam outras formas de vida, pensar que seria loucura não supor vida num universo ‘infinito’. Continuo ‘eu’ raciocinando e trocando essas idéias com ‘outros’ que, na verdade, não passam de ‘eus’ outros, ‘eus’ que nada têm além de mim, salvo um pouco mais ou menos de crença baseada ainda assim, em sentimentos gerados por órgãos fisicamente iguais aos meus.
Resta a dura opção: crer ou deixar de crer. Claro que o lógico é não acreditar.
Mas não acreditar contém todas as deficiências cognitivas e lógicas do ‘acreditar’. Nenhuma diferença senão o contrário. Contrário esse também em oposição a si mesmo, à possibilidade de todos e não relacionado ao conhecimento maior, de possibilidades outras, conhecidas que permitam a comparação. Nada. Não tenho comparações. Tenho a opção limitada do sim e do não, posições antagônicas que partem de um mesmo centro nervoso. E, partindo de origem igual, deixam de ser antagônicas, mas ‘brincadeiras’, ‘exercícios intelectuais’ de um mesmo pensamento que é o pensamento humano.
Estou, então, diante do paradoxo final. Estou no fim do tempo, onde a terra, plana, termina, deixando parte de seus oceanos transbordarem para o nada. O mundo é vasto, tão vasto quanto eu e meu universo e meu filho e meu Deus. E finito.
Dizem-me então que a terra não é plana como se acreditava há muito tempo, que é redonda, que o universo muito possivelmente é infinito e que a ciência caminha à passos largos já aumentando a média de vida e sua qualidade. Se antes se vivia 40 anos, hoje se vive setenta. E com boa qualidade. Não tenho como não acreditar, pois as estatísticas e a história estão aí mesmo pra mostrar que é tudo verdade. E se é verdade, discutir com o quê? O mundo me reafirma a cada segundo que eu posso acreditar em Deus ou não, poso escolher minha ideologia e posso programar minha aposentadoria. O que mais uma pessoa pode desejar? Nada. Sem dúvida nada.
Quando ultrapassamos esse limite, essa fronteira, nossos ‘anti-vírus’, nossos guardiões sociais entram naturalmente em alerta, da mesma maneira que anti-corpos em nosso organismo. ‘Alguma coisa está errada’ – alertam. E, em nome da qualidade de vida e do ‘bem estar geral da nação [globalizada], determinam um tipo de alteração na qual nos enquadramos e somos ingressados num ‘programa de reabilitação’ salvador que inclui, consultórios psicanalíticos, igrejas, hospitais, penitenciárias ou o meio-fio [disfunção do Estado].
Poque estamos tratando de um ‘universo’ de possíveis e, de uma forma ou de outra, havemos de nos enquadrar nessa ou naquela categoria, neste ou naquele grupo [ou tribo].
E, no meio da conversa, ou do mais profundo estudo acadêmico, esquecemos novamente [e sempre!] da possibilidade da comparação, do exercício de nos ver em relação a uma outra possibilidade, um outro mundo, um outro de Deus (se for Ele ainda necessário]. Calma! Não vai aí nenhuma blasfêmia, mas a forma abstrata do Deus permite a sua ‘não existência’ ainda ‘existindo’. Numa outra esfera [para nós impossível], é imaginável ser lógico não acreditar em Deus, ou ‘nesse’ Deus, já que o Deus está presente pela própria possibilidade da comparação, da fissura de pensamentos e, principalmente de existências, sem aí considerar-se nenhuma anormalidade.]
Exemplo disso seria esse mundo metafísico, ou a espiritualidade plena onde outros mundos e outras vidas e outras entidades e muitos ‘outros’ coabitam pela graça de Deus. Isso explica tudo, acalma o meu ser e eleva meu espírito. O senão, entretanto, persiste: ainda que eu creia nessa possibilidade [não uma crença amparada na crença pura e simples, mas em ‘sinais’ e ‘provas’ e convicção absoluta]. A crise que habita o ser crente, o Buda é que todo esse mundo espiritual, bom e infinito [junto com o Mal e tudo o mais] estão ainda dentro de um lado, de uma possibilidade e não dentro de um todo que seja visível a outros, discutível [não do ponto de visto da ‘prova científica’, como podem estar pensando apressadamente], mas, ao contrário, da ‘não prova’.
O que nos falta não é a comprovação do meu Anjo Protetor porque ele não carece de provas, não é uma experiência da Física e sim um Anjo. O que nos falta é perceber outro Anjo [não o do Mal], mas outro anjo seja lá com que denominação for.
Eu entenderia que, numa possibilidade diversa, um radiador velho fosse um Anjo, que a ele se devessem sacrifícios rituais e que não houvesse a possibilidade da dúvida (visto que em outra possibilidade, a questão da dúvida pode sequer existir). Mas não. Nascemos e morremos (se é que isso realmente ocorre – já que não há comparação com um ‘não nascer e morrer’) já prisioneiros [se existir realmente o conceito de ‘prisão’] de um Absoluto que de absoluto não tem nada. Nascemos e morremos e invocamos espíritos e Anjos e Deus sem permitir a estes que se manifestem de forma diversa [tal como, em tese, possuem], diante da falha universal da impossibilidade de diálogo outro, de comparação de conhecimento maior. Aliás, sorrio ao escrever ‘conhecimento maior’ já que não sei o que é o meu conhecimento ou se essa palavra traduz o que penso. Ou se penso.
Amém.

13.2.03

Quando o por do sol é avermelhado, quando as nuvens estão cor de rosa, a noite será fria e agradável. Quando a grama é podada regularmente, cresce mais e melhor. Mais bonita. O cão, de banho tomado, tem o pelo lustroso.
E a vida, amigo, é bacana pra caramba!
Por exemplo: agora estou nesse lugar infernal, nessa cidade mala, e ela tá lá... Que inveja! Mas eu volto hoje mesmo. Nem que seja de madrugada, eu volto :)
Com certeza, aqui é um lugar muito mais bacana para escrever minhas novas histórias do que o outro. Portanto, está decidido: será aqui.
Por falar nisso, sacaram o comentário aí embaixo? Cabeça, cara. E eu convivo com ele!!
:)

30.1.03

a decepção é um auto engano. ninguém racional pode se decepcionar. não saber do que o outro é capaz, é fugir de si mesmo, fingir que não conhece as pessoas
quando você começa qualquer coisa, principalmente quando envolve uma parceria, uma outra pessoa...não pode ter certeza nunca... de nada. se, mesmo conosco, temos dúvidas, inseguranças e tristezas, o outro, ao lado dos prazeres comezinhos, é fonte de decepções, dores... o homem se agrupa, eu sempre escrevi... mas não em relações fraternas... se agrupa para proteger-se e procurar prazeres... e acaba tudo meio hediondo...
é uma longa história que eu explico melhor em outro momento.
Pra dizer que estou voltando...
Se é que ainda tem alguém que venha por aqui....

12.11.02

vou me fixar no Sobretudo brasileiro:
http://www.sobretudodelona.blogger.com.br/
diante da óbvia constatação de que israelenses e palestinos não viverão em paz de maneira nenhuma, fico tentando compreender se a diáspora seria uma alternativa... se o retorno dos judeus para a europa não seria melhor... quero dizer, se os estados unidos tratam israel não como a terra dos judeus e sim como uma "frente" bem treinada...
porque é fácil mandar dinheiro americano para israel...difícil é morar em israel...
bom...m ou saem os judeus ou saem os árabes...
posted by g. sobretudo at 08:34




afora spans e propagandas menores eu não recebo correspondência praticamente nenhuma.
existe uma pessoa - muito querida - que me escreve sempre [e me basta].
dias desses andei pegando pesado por aqui e ela me escreve:

"a gente pode só mudar coisas pequenas. dizer bom dia, sorrir para o vizinho. tentar não se zangar. escutar o outro. pensar duas vezes antes de dizer asneira. regar as plantas. não esquecer de comprar pão. fazer a cama sem deixar rugas nos lençóis. pôr um pouco de colónia a seguir ao banho.


não ter medo
não ter medo
não ter medo


tentar convencer quando está convencido de que a solução é a melhor. mas escutar (é tão difícil) sempre.
fazer aquele trabalho voluntário mesmo sabendo que é menos do que uma gota.


a gente pode tentar mudar o pequeno mundo à volta. mas para mim isso quer dizer que sou eu que estou sempre em causa. o que eu fizer muda muito pouco. (pôr o cinto de segurança é a maneira que eu tinha de fazer com que as minhas filhas também, e ainda hoje, o ponham). mas é esse pouco.
elogiar o que há de bom em toda e qualquer pessoa
e não ter medo
(se tiver medo fazer como se não tivesse medo)
o mundo é bom
g, o mundo é bom
beijo"


Menina, eu sei que o mundo é bom. Concordo com você....
Mas, de vez em quando, é bom dar uma sacudida na turma
[e que a gente faz pouco, faz...]
beijo
posted by g. sobretudo at 08:24




11.11.02

é preciso ler "Operação Shylock" do phillip roth para compreender deteminada coisas... aliás, quem anda fazendo as resenhas do recente livro do saramago cita inúmeros autores que tratam do 'duplo' e esquecem Roth que tem a mais objetiva representação do 'eu' repetido... quer dizer, dá pra v. perceber cartesianamente a possibilidade [nem tão complexa] dos nossos múltiplos...
posted by g. sobretudo at 11:38



10.11.02

pequenos cochilos... dormir e acordar molhado de suor...muito calor - ar condicionado des ligado! Ligar correndo! Banho - de novo! - correndo.
Tudo isso por uma série de coisas escritas, lidas, ouvidas, não ditas... pelas coisas não ditas principalmente. Quando falamos realmente tudo? Pra quem a gente conta tudo? V. conta tudo pra sua amiga ou marido ou mulher? não. silencia. nega até pra si mesma (o).
Essa vida de negativas constantes...
posted by g. sobretudo at 19:25




hoje fez um dia muito quente. insuportavelmente quente... mesmo correndo de motocicleta, sentia o vento quente e úmido, desagradável em minha pele... quantos banhos? vários... e não sai... v. já sai do banho com calor, tem que se enfiar no ar condicionado... e andar pela rua pra ver o quê? rodei, rodei e não vi nada... vejo pessoas sem olhos... pessoas que perambulam, riem e não sabem... simplesmente pensam que sabem ou fingem que pensam que sabem... parece que está todo mundo enganando todo mundo e se enganando também... e, diante de tanta enganação, como saber o que é o quê? não temos como... o jeito é continuar, sorrir aqui e ali, fingir que não sente medo do garoto no sinal (mentira! todo mundo sente medo!)...
e o calor! o calor insuportável, parece cuiabá...
voltar para casa e ficar lendo aparenta uma anormalidade 'num dia tão bonito'... mas o que é normal? eu já não sei mais...
posted by g. sobretudo at 16:27




por mais quanto tempo eu tenho que fingir pra todo mundo? e você? quanto tempo mais? porque é o que estamos fazendo, você sabe muito bem... claro, quem posa de maluco na história sou eu, mas cada um de nós sabe do que eu estou falando e da verdade contida... de toda essa sujeira contida que a gente fala, fala, mas não muda. E não muda porque não quer mudar. Porque alterar significa renunciar e quem vai renunciar?

quem vai deixar a grana e o emprego? quem vai ficar com a mulher seja ela quam for e com o cachorro sarnento? quem vai abrir mão de trocar de automóvel ou de comprar a máquina fotográfica digital? quem? quem vai deixar de lanchar no lugar da moda, quem abandona ipanema, são conrado e leblon? essa é a grande questão, menina, ninguém vai segurar essa onda... porque mesmo os que conseguiram 'se libertar' de alguma maneira... mesmo esses continuam meio presos... nessa coisa meio alternativa, mas nem tanto... ora a gente sabe disso... o quanto a gente consegue ser alternativo? um pouquinho só... a gente quer 'direitos autorais' pra ser alternativo...
e o mundo inteiro é assim.
Romper com tudo. Eis a questão. Quem vai? Eu? Não, eu não vou.
não posso: sou um viciado (como em morfina) na vida tal como ela é, tal como me foi apresentada... uma coisa é eu não querer mais nada do que já possuo, outra, muito diferente, é deixar de possuir... romper com 'essa realidade'... a gente consegue? será? eu gostaria... pelo menos de tentar, mas quem garante? o que vai me diferenciar de um louco desses que a gente olha e ri, vendo nele um ser abjeto, podre?
não, é melhor fingir que tudo continua bem, normal. ninguém vai saber mesmo.... e se usarem esse texto como testemunho, já tenho a resposta pronta: é uma experiência literária em internet... nada disso tem a ver comigo realmente.
é tudo literatura e laboratório...
e agora? o que é o quê?
posted by g. sobretudo at 16:17





porque tem essa história da gente não contar tudo... não ir à fundo, né? porque o fundo, amigo, é feio... tem lama, cheira mal... tem que ver o assassino de barbas brancas que cuida dos cachorros em 'Amores Brutos'.... tem que ver a criancinha que mata friamente na favela e a menina do leblon que não olha nada, não vê absolutamente nada...
tem que ver o padre pedófilo e a mulher que não quer ter filhos...
cadê a coragem? cadê a coragem de viver a vida inteira, como ela é, como está?
o que a gente faz? trabalha e vai pra casa... finge que não é neurótico nem é maluco nem tarado à custa de comprimidos, de tranqüilizantes, álcool, maconha e cocaína.... a verdade é que sem prozac ninguém vive... é o uísque do empresário, a cachaça do pobretão ou a cola do menino de rua...
somos lixo, produto de um mundo decadente... são mulheres taradas que se masturbam 7 vezes antes de ir para a igreja evangélica..
esses são os homens que pretendem um mundo 'normal'... fala sério...
ou esmurram a mulher, ou arrebentam os filhos ou, quando são do bem, guardam o ódio pra descontar no dia seguinte no subordinado... são as pessoas que não abrem mão de nada.
fingem que abrem, contam que abrem, mas vai ver de perto... vai ver de perto a miséria que é alma de cada um...
por isso os animais são felizes... porque não sabem o que é felicidade. porque não querem nada. porque matam os fracos. porque não pensam em ecologia, não fazem discursos... comem. matam e comem. trepam e vão em frente. caçam e são caçados. só. sem mistério, sem discurso.
posted by g. sobretudo at 15:31




temos uma sociedade mais ou menos justa... não sei se adianta muito ficar com o lero lero da possibilidade para cada um.
antes, é ver o que se espera.... porque o homem é insaciável... sua busca de amealhar riqueza não tem fim... claro que dentro de uma ou outra família existem os que se rebelam, mas se rebelam na piscina, sabe como?
então a sociedade seria injusta com quem? com os muito pobres. e quem são os muito pobres? os que não têm o que comer no interior do norte e nordeste ou os que apodrecem de câncer na UTI do leblon? os que são abandonados pelos filhos ou os que gostariam de dar mais aos filhos?
quem é o grande vilão da sociedade: o sistema ou o próprio homem? fico pensando no homem. porque não adianta ficar reclamando disso e daquilo, encaminhando ações que são políticamente corretas, mas não vão à fundo na alma humana...
não reconhecer o que vai pela alma do homem é brincar de humanitário...
eu tb acho que não podemos ter a fome [dessa maneira que aí está, bruta]. Mas a fome não é um mal em si. É conseqüência da ação do homem... daquele não dá de comer, daquele que não permite o trabalho, daquele que compra imóveis e carros e surpérfluos, daquele que teme estar só, de peito aberto para a vida...
não há muito como se iludir... são as pessoas que fazem o mal das outras... e essas pessoas continuam por aí... quem está fazendo sua parte? eu? sentado no ar condicionado e brincando de blog, enquanto podia estar fazendo um trabalho solidário num leprosário? você, que está aí lendo e gastando energia, telefone, provedor? quem está DE VERDADE fazendo o quê?
posted by g. sobretudo at 14:03




o meu maior acerto foi nos textos escritos no blog 'quando um viajante numa noite de inverno'... ali eu realmente disse tudo... tudo o que penso e o que espero da vida.... porque é muito ambíguo, mas é assim... eu sou um viajante que não quer mais nada da vida [principalmete em coisa materiais]... quero seguir, livre para o que acontecer, não importa como, quando, em que hipótese.... não importa nada. acho que caminho para a anarquia aos 50 anos... nada mais me prende.
não consegui muita coisa até aqui.... poderia já te morrido e não morri... e agora, o que reserva o destino? mais um filho? não.
a perda de uns poucos parentes velhos? com certeza. a doença? com certeza. a morte? ha ha ha ...
e o que eu faço diante disso... com esse passado minguado e esse futuro estreito? não me ocorre nada melhor do que dar o que ainda tenho... doar o que sou para os que quiserem [se é que alguém vai querer alguma coisa!].... mas é isso... caminhar... seguir como um viajante onde as coisas recomeçam a cada minuto, reconhecendo que a próxima hora poderá ser pródiga ou, simplesmente não existir....
se eu fosse bom ou tivesse vocação, poderia tornar-me um santo, mas essa hipótese não existe.
resta o caminhar... e caminhar é por dentro e por fora... é estar aberto a todo o tipo de possibilidade, reconhecendo que o universo faz o mesmo, o universo caminha e se doa [ainda que exista um enorme buraco negro à espreita na via láctea]...
....

nada posso fazer. não há nada de grandioso construído [mas quantas pessoas constoem coisas grandiosas? e o que é uma coisa grandiosa? talvez apenas megalomania [possivelmente]... daí que sou peregrino ( e li isso num post no início do ano e achei que o cara tava louco... ou eu fiquei também ou nenhum de nós dois está )...
mas é isso... é o que sou e como estou o que tenho... não desejo nada mais. é a penas o caminhar, o reconhecimento [interno] de cada etapa vencida - avaliada diariamente, à cada hora ou minuto...
tentei explicar a coisa dos livros, que é mais uma coleção do que qualquer outra coisa... poderia ser coleção de selos ou cachimbos... os livros colecionados não determinam [nem de longe] o saber ou a experiência apreendida.... como tb não esse ir e vir, essa pessoas que passam e não comprendem ou não se adaptam, não percebem... e aí não vai nenhuma crítica não, porque é difícil mesmo perceber [de verdade] o outro - se nem eu mesmo me percebo todo o tempo!
posted by g. sobretudo at 11:10





desde que o homem existe, usa como roupa, para adorno ou aquecimento as peles de animais. agora fica um monte de gente tendo crise histérica por causa disso...
posted by g. sobretudo at 10:50



9.11.02

caramba! tem uns blogs tão 'políticamente corretos' que eu calço luvas de pelica (artificial, por favor) antes de entrar...
posted by g. sobretudo at 23:41




o eterno "fim de Jogo"...
posted by g. sobretudo at 23:24




fui assistir dragão vermelho, fã que sou do Hannibal Lecter... Uma bosta... Ridículo... não vejo mais nenhum filme que me impuserem... e engraçado que a crítica gostou, ao contrário do último Hannibal [este sim, eu gostei]... ou seja, estou em descompasso com a crítica...

9.10.02

O jornalista Elio Gaspari vem se mostrando um contumaz crítico de FHC e de sua política 'liberal'.
Passei os últimos sete anos lendo as críticas duras do jornalista ao governo eleito e reeleito...
Segundo fanáticos de esquerda, Elio é um jornalista sério que reproduz os ideais do povo.
É interessante, portanto, ler sua coluna de hoje:
"Não faz sentido que um candidato a presidente diga as coisas que Lula diz (a história da mulher que pedia esmola com uma criança no colo, por exemplo) e depois vá molhar as trufas do ravióli com uma garrafa de Romanée-Conti à mesa. A cena é patética. " (continua)

retirado do sobretudo de lona

5.10.02


***algumas coisas vão acontecendo meio ao sabor do destino....
essa frase encerra uma verdade?
não tenho certeza.... muitas coisas acontecem com cara de destino, com cara de 'conspiração'... mas, será?!

é preciso, talvez, uma 'reabilitação' com tudo o que é grande, com tudo o que nos é 'maior'...
tarefa difícil para quem não tem o 'centro' absolutamente firmado.
apenas a filosofia ou [como diria o outro], 'as filosofias' estejam postas como resposta...
ainda que impliquem em todo o ocultismo, em todo o metafísico...
são 'viagens' das quais não podemos fugir [ou pensar em]...

a maioria dessas 'viagens' estão aqui, no campo material....
onde não há escapatória fácil, onde o monge ressurge, refuga e chora....
o lume da vela é apenas o ícone [como tantos outros ícones]...
como ousar encontrar a verdade?

*retirado do Sobretudo de Lona

15.9.02

existem pessoas tão perdidas, tão fora da realidade que são presas fáceis para qualquer coisa.... imagino que muita gente seja sacaneada pra valer, muita gente se envolva em grandes confusões... sérias... não sei como isso não vem à público... afinal, são milhões de pessoas "tentando" diariamente...
existem pessoas muito curiosas que orbitam em torno de salas de chat, icq, irc e todas as possibilidades de comunicação via internet... na maioria das vezes essa curiosidade é causada pela incapacidade de relacionamento fora da rede, excentricidade e solidão [normalmente associadas à doenças mentais não diagnosticadas ou não reconhecidas]